Srila Atulananda Acharya

como alcançar a Deus

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Podemos dizer que todo mundo busca a Deus, que todos querem alcançar a Deus. Se nós definimos Deus como o Supre­mo, é natural que desejemos alcançá-lo.

Por exemplo, o comerciante deseja tornar-se muito rico, um intelectual almeja estar sumamente preparado, também o ar­tista gostaria de ser um ótimo artista. Também vemos que cada um, em seu campo de atividade, tem seus líderes, seus inspi­radores, supremos. Na política, na ciência, na arte, todos nós buscamos a Deus e ao Supremo, trata-se de uma busca natural, um desejo natural.

Entretanto há distintos conceitos de “Supremo”. Para alguns, o Supremo é o Universo, para outros, Deus é o poder, o conhe­cimento, para outros é a renúncia; para outros ainda, é a felici­dade, o êxtase, o Amor. Em nossa escola de bhakti, o Supremo é o Amor, Deus é Amor. O aspecto de Deus como Krishna é completamente amoroso e compassivo, acima da grandeza, da majestade, acima do poder.

Na realidade tudo está incluído no amor. Por vezes Sri Krish­na mostra sua majestade. Por exemplo: em um piscar de olhos Ele construiu a cidade de Dwarka e mostrou Seu poder quan­do destruiu os muitos demônios que invadiram Vrindavana. São esses demônios que contaminam nosso coração e Krishna mostra um imenso poder ao purificá-lo.

Deste modo, Seu poder revela o Amor. Sua magnificência, como a que relatamos sobre Dwarka, foi também para defen­der Suas rainhas, Seus devotos. Sua majestade também está relacionada com o amor, com o serviço a Seus devotos e, por essa razão, dizemos que Krishna é o aspecto mais elevado e encantador de Deus.

Sri Krishna declara no Bhagavad Gita que somente através da devoção podemos alcançá-Lo, bhaktya mam abhijanati. Abhi­janati significa “Eu posso ser completamente conhecido, Eu posso ser profundamente conhecido”, porque ninguém pode amar quem não conhece. Assim, Sri Krishna se dá por conhecer. Abhijanati significa conhecimento superior, conhecimento su­premo através da devoção, porque é por intermédio do amor que alguém abre o seu coração, que se revela, se dá a conhecer, mostra seus segredos e também a sua identidade. Todos se re­velam através do amor, não há como conhecer a outra pessoa se ela própria não nos mostra sua personalidade, não revela os seus gostos, as suas inclinações, suas inquietações. Não pode­mos saber quais seus desejos se ela mesma não nos contar.

Deste modo, se somente por meio de uma revelação nós podemos conhecer outra pessoa, dir-se-á conhecer a Pessoa Suprema. Conforme dito no Bhagavad Gita:

“Porque tu és meu devoto e meu amigo, eu te estou revelan­do isto, que o mais confidencial, o mais secreto, a meus devotos naturalmente o entrego.”

O Senhor Brahma também diz, vede sudurlabha: Nos Vedas, no campo do conhecimento, da investigação científica e filo­sófica, é muito difícil obter essa verdade superior, essa verdade suprema, conhecer a Causa Primeira, conhecer a Deus, é mui­to difícil. Porem, adurlabha atma bhakto, é muito fácil conhecer a Krishna pelos seus Devotos, pois Ele está junto deles.

Conforme diz Bhaktivinoda Thakur, Krishna se tomara, Krish­na dite paro, tomara sakati ache. Krishna já é teu, e tu podes dar a Krishna, esse poder está em tuas mãos. Assim Srila Bhaktivi­noda Thakur se dirige a seu mestre espiritual. As pessoas santas têm a Deus e eles podem nos dar Deus. Essa é sua grande mi­sericórdia. Por isso desejamos a companhia das pessoas santas: se queremos alcançar a Deus verdadeiramente, primeiro preci­samos procurar aqueles que têm a Deus, assim como quando queremos comprar alguma coisa, precisamos procurar quem está vendendo essa coisa, pois não a podemos fabricar. Da mesma forma, as pessoas santas naturalmente nos dão Krish­na, como uma macieira dá maçãs, ou como o sol dá a luz e o ca­lor, assim como um médico cura doenças. Da mesma forma, as pessoas santas nos dão alívio interno, nos iluminam, mostram o caminho para obter a perfeição.

Deus está entre as pessoas santas e através delas se apresen­ta. Se não temos apreço pelas pessoas santas, não podemos ter apreço por Deus, pois as pessoas santas O representam, re­presentam o serviço para Ele, a relação com Ele. Se desejo estar com Deus sem os santos, isto significa que não quero servi-Lo, não quero assumir o compromisso. Para essas pessoas Deus só manifesta a Sua luz, a Sua energia, ou as vezes mostra o Uni­verso ou o Paramatma, algum aspecto de Deus onde não há o compromisso com o serviço. E apenas entre os devotos está esse compromisso.

Mas o mundo superior, o mundo do amor, é o mundo do serviço. Por essa razão, para ir até lá, devemos desenvolver a atitude de serviço. O desejo de servir é naturalmente desper­tado em companhia dos devotos, pois é essa a nossa posição constitucional, nós somos servidores. Porém, através de Maya (a energia material ilusória) assumimos uma personalidade fal­sa, assumimos uma inclinação falsa, buscamos sermos os se­nhores e exploradores.

Busquemos, pois, despertar para o desejo de servir. Como disse Jesus Cristo: “os últimos serão os primeiros”. Pela influ­ência de Maya, da ilusão, queremos ser os primeiros, mas isso é uma doença mental. Deus é o primeiro, os sábios, os santos e nossos mestres são os primeiros. Nós não precisamos ser os primeiros, o lugar dos primeiros felizmente está ocupado e nós temos apenas que servi-los, com humildade, alegremente, na­turalmente.

Dessa forma vamos alcançar a Deus. Alcançar a Deus não significa, necessariamente, que precisamos estar com Deus agora, simplesmente nos colocar no caminho que leva a Deus, isso é estar com Deus. “su-sukham kartum avyayam”, se trilhas o caminho que conduz a Deus, esse é um caminho feliz, esse é um caminho iluminado, uma trilha protegida por Deus. Sen­tirás a Sua mão, a Sua companhia, e estarás livre da influência material, livre do karma.

Tão logo inicias essa busca, se estabelece a conexão. Isso é declarado por Chaitanya Mahaprabu. Assim que inicias a bus­ca sincera e séria por Deus, Krishna te considera como um dos Seus, Atma sama. O que isso significa? Isso é asa sangat tyaga, essa pessoa se torna alguém sem interesses mundanos, sem interesses temporais, que quer deixar tudo o que é transitório, só quer se vincular com o eterno, com o substancial, com o pro­fundo. Esses são os sintomas.

Asa sangat tyaga, logo se desperta um desgosto pelo mun­do, um desinteresse pelo mundo que impele a olhar para o alto, pois quem tem esperança no infinito desperta sua fé su­perior, nossa aspiração passa a ser o eterno, o infinito, que são características de Deus, a Quem buscamos.

Em suma, na companhia das pessoas santas pode­-se dizer que já alcançamos a Deus e isso é mais seguro que uma suposição de que alcançamos Deus: alguns po­dem dizer que viram Krishna, mas se não estão na compa­nhia dos devotos de Deus, não estão realmente com Ele. A garantia verdadeira de estar com Deus é estar com seus de­votos, pois estes representam o coração de Deus, eles são o amor de Deus.

Krishna disse a Narada Muni: “Não estou na morada trans­cendental, nem vivo no coração do yogis, mas, sim, onde quer que os devotos cantem Minhas glórias. Ali podes me encon­trar”.

Jesus Cristo também disse que “onde há dois ou mais em meu nome, ali estarei”. É a mesma afirmativa a que encontra­mos nos Vedas, nas escrituras vaishnavas. É dito por Deus no Sri Isopanisad que, Deus está longe e perto ao mesmo tempo. Na verdade, Ele está sempre perto de nossos corações, porém aparentemente, Ele está distante. No entanto, se quisermos tê-Lo sempre perto, no momento em que pronunciamos Seu nome, Krishna, Ele se aproxima, pois Seu Nome não é diferente dEle mesmo, Ele é Absoluto, Seu Nome não é diferente Ele, Sua potência não é diferente Ele, Seu Nome, inclusive, é mais pode­roso que Ele mesmo, uma vez que ao ouvir o Seu nome Ele se obriga a vir.

Assim, por escutar sobre Ele, Sravanam, por falar sobre Krish­na, Kirtana, por lembrarmos dEle, Vishnu smaranam, servir a Seus pés, pada sevanam, arcana vandanam, por adorá-Lo, por oferecer-Lhe orações, por seguir as Suas ordens, por servi-Lo e O sentir como um amigo, por nos entregar a Ele, atma niveda­na, alcançamos a Deus, enchendo nossas vidas com Ele: sem­pre escutando sobre Ele, falando sobre Ele, tendo-O sempre presente. Ele está presente quando sempre cantamos Suas gló­rias, nos esforçamos com determinação. Ao tomar firmes votos, estaremos sempre em união com Ele.

Isso é Bhakti yoga, ou seja, a contínua comunhão com o Su­premo através do amor e da devoção, e isso ocorre perfeita­mente. Essa mística existe, essa possibilidade existe: ao cantar o Santo Nome, ao servir, escutar, ao recordar. Ele está sempre dentro e fora de nós, como o ar, a água e a terra também estão. Deus também está dentro e fora de nós, porém Maya, a ilusão, nos separa Ele, nos afasta de Krishna. Mas isso é ilusório, no pla­no da realidade estamos sempre com Krishna, Ele sempre está conosco. Nisso consiste a yoga: como nos unir a Ele, como estar sempre com Ele e, se vivemos desse modo, estaremos com Ele quando abandonarmos este corpo, e essa é a perfeição da vidHare Krishna!

Obrigado!

Srila Atulananda Acarya
Soluções da Sabedoria Védica
Pilares de uma Cultura Superior

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Autor: anangaradha

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